Bauman e o dilema de Hamlet

incerteza e fundamentalismo

Autores

  • Pedro Scuro Nt

Palavras-chave:

incerteza pervasiva, fundamentalismo, lacração de diálogo, modelo teórico de Bauman

Resumo

Qual é o dilema de Hamlet, o príncipe que nos palcos representa a nossa consciência como indivíduos e por meio dela as nossas incertezas nos proscênios da vida? “Ser ou não ser”, ele diz, expressão famosa que Theodor Adorno colocou em outros termos – “coaxar ou não coaxar” – expressando o desejo de fazer-se ouvir, eventualmente desafiando a autoridade das práticas consagradas acerca de como, se, quando e o que fazer nas circunstâncias desordenadas em que cada vez mais existimos. Daí o “dilema de Bauman”, do ator comprometido: construir uma “arte de viver permanentemente com a incerteza”, sem a convencional pretensão de ser “reformadora”, “neutra”, fonte de probidade e veracidade. Ofício para intérpretes qualificados e determinantes da “ação autorreflexiva e auto monitorada” em contextos que se transformam mediante “livres escolhas” de curto prazo condicionadas por mercados e tecnologias de consumo. Ação que reproduz a si e ao sistema, dependente de política e poder – contudo, cada vez menos relevantes um para o outro –, e de comunidades em que solidariedade e capacidade de organização deixaram de ser prioritárias. À guisa de demonstrar a fertilidade do modelo proposto por Bauman, o artigo encerra com aplicações específicas in casos concretos.

Biografia do Autor

  • Pedro Scuro Nt

    Sociólogo pesquisador, MSocSc (Praga) PhD (Leeds); consultor em políticas públicas e cultura organizacional; diretor, International Society of Criminology (Washington DC); fellow, Forum on International Crime and Criminal Law (Beijing); autor de Sociologia Geral e Jurídica. A era do Direito cativo (2019, 8ª ed.), Direito do Conflito (2021), Criminal Justice of Brazil (2022).

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Publicado

05-03-2026